quinta-feira, 15 de novembro de 2012




Como foi o fim


Deixei de te amar.  E ai tudo  se resumiu num post it grudado na geladeira. Torto de desleixo. Precisávamos ter sedimentado isso. Coisa que não se fala, se faz. Foi tudo muito de repente. Como matar barata com chinelas. Abrir a janela pra tomar um ar. A música nem chegou a tocar inteira. Foi tudo besteira. Não sou maldosa, ando com as minhas pernas, sinto o meu peso.
Eu quis te avisar antes, mas com medo, retrocedi e tentei continuar te amando.  Mas a culpa também é sua. Que não me olhou enquanto eu dormia depois do segundo mês.  Ontem à noite vi um buraco na rua. Sabe  o que pensei? Em nos dois. Olha que triste. Um vazio que se enche quando como algodão doce. O perfume acabou e restou uma mulher cheia de desejos, com paixões que queimam a mão. De você não sei o que restou. Nem me cabe. Nos dois já estávamos lá fora. Coube a mim ir um pouquinho mais longe para que as facas, que são palavras, não me matarem. Eu quero surpresas. E você não me surpreende mais. O recipiente do amor esfriou. Estávamos fazendo in vitro.
Esses dias eu estava procurando escrever como o amor acaba. E a melhor maneira de contar isso é contando a nossa história. Não que não tenha sido linda. Cheias de montanhas e neve. Cheias de quartos que só não eram inabitáveis porque dentro estávamos nos dois fazendo amor. Deveríamos ter ido mais devagar. Não esgotar tudo logo no começo. O amor, pra ser amor, tem que ter ritmo, e às vezes ser lento.
Eu comecei outro itinerário. E sozinha.Como mulher que sai  à rua  nua e chorando. Mas eu estava de botas e jeans. Aqueles que nunca se perdem. Botas e jeans são sempre uma certeza. Amor eterno.

sexta-feira, 18 de maio de 2012




Bagged

Minhas imagens são meu saco de besteiras. Coloridas. Como sonho, que se sonha acordado. Como quando vemos a imagem de algum bicho na nuvem. Vemos o que estamos instados a ver.


O saco não faz silêncio. Como mágica. Vibra, como depois da câimbra. São pedras de todas a cores transparentes. Tem até roxo, cor de pássaro de livro clássico. Dia de natal penduro saco na janela, esperando por dádiva. Mas venha o que vier. Cabe tudo no saco. De que pano é feito o saco?, que sei que ele é pano. Um pano meio gasto, esgarçado.

Tamanho ele tem o que necessita.

Muita gente grande já esteve no saco. Tão grande que o saco até laçeou. Tamanhos dados por mim. De mim tiro o que é verdade. Sugo. Nem que pra isso... A beleza está na redondeza das coisas. Até cerveja desce mais redonda. É quase um balé. Se joga, que as coisas vão fazer mais sentido. E é importante que as coisas façam sentido. O resto é inferno. E o saco esvazia. Não procure transparência ao olhar uma pessoa. Procure o inesperado. Você não sabe nada.

Dentro do saco tem muitos livros. Muitos mesmo. E com eles você pode aprender que às vezes é preciso tomar uma atitude, mesmo estando muito triste. O movimento é que mantem o corpo vivo. Mesmo que a cabeça esteja a um passo.....Não ligue para o que não tem vez. Ou tome coragem.

Ah sim, o saco é cheio de coragem. Quantas vezes ainda vai precisar de coragem até o fim da sua vida? A gente faz conta de tudo, por que não disso? Até onde você consegue ir? Eu sou meio limitada. Vai ver por isso carrego o saco.

Tenho uma coleção de óculos dentro do saco. Mas não me lembro da última vez que usei um. E continuo reclamando que enxergo mal o de fora. Dentro de mim enxergo bem. A luz é até muito forte. E eu sem colírios ou óculos escuros.

Tantas letras soltas tem dentro do saco. Às vezes sonhos que estou colocando-as em ordem de sentindo, arrumando o saco. Mas quando acordo ele sempre está bagunçado. Esse negócio de entender a própria bagunças, é mentira de pescador.


O saco também é repleto de bilhetes de viagem. Todas ida e volta. Acho que só ida é a morte. Como tatuagem que marca a pele para sempre. Implorar que ele fique com você. Essas coisas marcam a vida. De espectro em espectro o quadro se completa justo. Poetas sempre se matam, na história. E jovens. Foram até onde podiam.

Talvez a vida seja pra se viver rápido. Ou em todas as velocidades. Já percebeu que o mar não para? As ondas não cessam, grandes ou pequenas. E é tão azul. Como o céu. Mas eu prefiro o mar-misterioso.

Esqueci, mas galinha voa? Deveria voar, não é? E botar ovo na cabeça de um monte de gente que merece.



sexta-feira, 11 de maio de 2012


Se eu não fosse louca, não seria quem eu sou. 
Seria um outro alguém, reclamando da rotina. 
Minha vida não tem rotina. 
Planos? Hã, do I want to make God laughs? I tell him i’ve got plans! Minha cor favorita é: todas!
 Minhas pessoas favoritas? As que existirem. 
Quero ser sempre do mesmo tamanho de quem comigo conversa. 
Eu faço todos os malabarismos.
 Eu sou mãe terra e linda sereia.
Agora mesmo me sinto meio online, meio offline. 
 Mas de tudo sou um pouco eu.
 Adoro passear do liquido ao gasozo. 
Tudo perto de mim tem pontas. 
Que me tocam. 
Sinto a energia da grama na sola dos meus pés.
 E das formigas também.
 Atendo a todos os telefones ao mesmo tempo. 
Tenho 100 braços.
 Moro em todas as cidades, da região norte à região sul.
 Falo todas as línguas. 
Sou eu mesma a rainha e a serviçal. 
Tenho uma unha curta e uma comprida. 
Uso um pé de cada sapato. Sou moça de família.
Ciao.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Até do avesso


Almost gonne. Só tenho que me lembrar de que é a reta final de um tempo. Subida de montanha russa. Vou morar lá em cima. Amar enquanto na verdade, deveria buscar uma certa introspecção. Os minutos serão só minha verdade. Livre, de braços bem abertos e olhos bem fechados. Parte de mim desintegrará. Serei meio liquida. Desamarrada. Sou a que vai. Vai pensando que aquele é o momento mais feliz da minha vida. E se eu cair? Vou me convencer que embaixo também é legal. O mais rapido possível. Livre pra assistir ballet. And times i will say; we so good togheter. And in a few days the feeling will be gonne. Sim, eu sou normal. Gosto de desenhar corações. E ouvir música. Imagino já a foto disso. A angustia maior para intensificar o sentir. Voltar a ser quem queria ser. Fosse qualquer uma delas. Mas posso também amar da forma mais ampla que já amei na vida. Isso pode acontecer. E eu me entregar à qualquer submissão do amor. Faria massagem nos pés. Chamaria de meu e teria pra mim. E isso me daria um medo danado e eu começasse a boicotar o amor porque ele é pleno e feliz. E talvez eu não mereça. Os horários não serão mais fixos. A meia da noite, os ponteiros farão amor. Mesmo que o amor não aconteça. Era só uma hipótese. Quero descobrir qual é meu lugar. Se estiver no Japão posso descobrir que meu lugar é a Ilha de Whight. Fazer o vôo até a Ilha de Whight. E ser entao, feliz. Sim, é urgente que eu descobra o meu lugar. One can hold just a bit of LOOOOOOSIng.E fumar um cigarro.
Amém.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Sensual


Ela estava na duvida se morava em Piratininga ou Amsterdam. Se teria um filho ou não! Se comprava um carro popular ou um buguie. Se pintava a unha de preto ou francesinha. Omelete ou espaguete?
Sair e beber parecia a melhor opção. Sempre parecia. Bastava estar disposta a se abrir toda. Sim, sempre conhecia homens. Era inevitável. Sabia que quando saísse para beber, com os olhos certos, e o sorriso de lado, um homem viria e ela passaria a noite com ele.
É o tipo de mulher que passa a noite. Detesta motel. Gosta de transar em hotéis. Liga o ar condiocionado e toma café da manhã continental. Os lençóis são tão impessoais. Lhe dão clareza para se concentrar no prazer. Motel é muita putaria. Essa coisa de tapete vermelho-sangue, água da piscina amarelo-organico. Quadros sensuais ou espelhos, daquilo que ela preferia ver cada pedaçinho, do seu ângulo, refletia. Transaria num hospital, se pensasse bem.
Aquela noite não foi diferente de nenhuma das noites. Exceto por uma coisa que guardo para o final. Ela saiu. Apenas com seu corpo, um batom vermelho e um cartão de crédito.
Calor, um apresenta outro. A conversa começa. Os sorrisos começam. As risadas. É assim que gosta que comece. Não pensa mais no que está dizendo. Fica tão natural. Ela tem uma coisa de intimidade. Fica íntima das pessoas. Às vezes muito. As vezes gostaria que fosse menos.
Já se sentia íntima de Silvio. Ele tinha a barba por fazer. E cheirava bem. Tinha também personalidade e era esteticamente muito atraente. Vamos beber mais um pouquinho? Vamos! Mais um mundo de histórias que podiam ser contadas em poucos segundos. É assim que gosta que comece.
Foi ao banheiro. Sentiu que o salto da bota já tinha ficado muito alto pro álcool que ela havia bebido. Hora de parar. Não teria graça vomitar hoje.
Voltou à mesa. E ai? Vamos transar? Não sabe mais se homem se assusta ou acha a frase afrodisíaca. Sempre aceitam. Mas ela não sabe mais o que eles pensam. Na verdade, não quer saber. É assim que gosta que comece.
Hotel: à essa altura da sua alegria infantil por estar se divertindo, o mais caro. Beijos no elevador, pernas se entrecruzando ainda em pé. Mão sentindo com quem passaria a noite. Mão reconhecendo-lhe o corpo. Cheiro. Mistura de álcool, barba e Marlboro. O seu cavaleiro da noite. Uma hora tudo estaria bem e na outra tudo estaria acabado. É assim que gosta que comece. No canvas.
Adora escovar os dentes antes de transar. Faz parte do ritual. Escovou o dele também. Num ato de carinho, como falho. Tinha que reconhecer: ele beijava muito bem. Mas muito bem mesmo. Talvez o melhor beijo dos últimos anos. Seus ombros tremiam.
A cama às vezes demora a chegar até ela. Seus gozos ganham a corrida. Mas ele era mais apressado. O beijo dele... ah. (Ela suspirava). Estava certo seu corpo estar ali. Sentia isso. Prazer.
Mas as vezes deixava de salamaleques e amava mesmo. Estava amando aquele momento. Seus corpos se comunicavam tão bem. O beijo era tão encaixado. As risadas vinham juntas. A fome também. E continuavam se amando, entre outras coisas que faziam juntos. Mas acho que o tempo todo estavam se amando. E eu é que não gosto de contar a história assim. Nunca sei quando aconteceu de verdade. Será que foi dessa vez? Foi isso que guardei para o fim.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012





Pensei num alfabeto meu, em letras que penso mais vezes. Que uso. Mas aí vejo que estou sem ter com o que preocupar. Uso todas as letras muitas vezes. Falo demais, rabisco demais, mando cartas, e mails, mensagens!

Tenho intervalos em que não fico no meu corpo. Eu saio, e quando volto esse corpo está mais mal tratado.
Não me pergunte onde fico nesse tempo porque tenho vergonha de responder. Qual a sensação quando retorno? Ódio. Porque me abandonei? Aí começa a história de Sizifo de novo, pedra montanha acima, abaixo .
As vezes tenho certeza de que não estou sozinha. Mesmo sabendo que estou. É um sofrimento só. Se eu descobrir mais coisa vou sofrer não muito por mim,mas por quem está perto de mim. Já disse um vez, a loucura é Pink. Punk.
Ia falar de afeto, mas me pareceu uma palavra tão doce. Muito doce. Assim não gosto. Gosto meio amargo. Não que não goste de doce. Minha língua consegue absorver uns milhares de sabores sem ser por associação e sim por memória emocional.
Vou então falar de culpa. Mas nossa, culpa pesa, não é? Culpa pesa como musculação. Alguns músculos doem muito em um dia, no outro dia, outros músculos. E a dor não para. Culpa é uma merda! Até antropologicamente falando, é uma merda de várias religiões, raças, massas e culturas. Chega de culpa, então!
Vamos falar de amizade? Ah, nem sei quem são eles mais. Não tenho vergonha de dizer, tenho dúvidas, às vezes. É meu amigo mesmo? Por que amigo é amigo, filho da puta é filho da puta! Até tomo cerveja por eles. Mas meu mundo é cheio de dúvidas.
Vamos então falar de amor? Mas e o amor? Hã? Responde aí seu safado.....

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011



Letras que junto aleatoriamente, procurando o sentido que não tem. Ë Natal, Ano Novo e a vida continua igual. Os peixes morrendo as catedrais envelhecendo e as velas queimando. Ainda não achei meu melhor ângulo para uma foto. Todos os ângulos me mostram culpa e eu surto. As meninas que passeiam me deixam mais felizes. Passei por uma loja que se chama Duas meninas, fiquei feliz. Como quando comia bolo de queijo da minha avó. Hoje em dia ela não faz mais esse bolo. Ela ficou triste. Estamos todos tristes. Mas na obrigação de estarmos todos felizes.
Arroz e feijão e a criança fica feliz. E dizem que felicidade não existe. Subi uma montanha ontem. Quando cheguei lá em cima, havia esquecido de levar água. Desci e fiquei com preguiça de subir de novo. Só quem sobe montanhas vai entender isso. A falta de água faz uma diferença!!!!!
O Ano que começa eu quero o que todo mundo quer, amor, paz, saúde, dinheiro, sorte e sucesso. Mas o que quero mesmo? Não sei dizer. Dizer que quero ir embora, é vago. Às vezes quando me ouço, não tenho paciência comigo mesmo.
Ouço musica para ver se a dor alivia. E nem vem porque não vou falar de dor. Chega!
Hoje a noite queria poças grossas de água no chão, para eu pulá-las com minhas botas de viagem. Dessas que já pularam de quinta pra sábado. Botas poderosas.
Perco-me nas vontades que são de um outro eu. Ainda eu. Mas prometi silencio para esse ano que começa ou que emenda. E silêncio será.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Os peixes estao mortos



Eu deveria estar contando as pessoas que os peixes do aquário estão mortos, ela me disse. Então estou aqui pra isso. Profundamente triste, eu ainda acreditava que ele iriam sobreviver apesar da solidão.
Uma outra fonte de oxigênio surgiria como mágica para eles. E eles respirariam aliviados. Dançariam naquela água suja por mais alguns minutos. Até ficarem entediados por estarem em um aquário e dormirem. Não sei se peixe dorme, mas sabe quando ele fica assim paradinho, parece até que morreu? Depois dançariam na água mais um pouquinho. Talvez não sentissem falta da correnteza. Talvez nunca a tivesse conhecido. Lógico que não. Nasceram então, no aquário. Pobrezinhos. Mas eles estão mortos, porque essa fonte mágica de oxigênio extra não apareceu. Pessoas, os peixes do aquário estão mortos, e os que não estão, vão em breve morrer então.

sábado, 13 de agosto de 2011


O que me falta descobrir?
Meu nome, aprendi.
Meu corpo fisico, sentei nele.
Minha mente, ando fazendo carinho nela.
Meu corpo sensual anda se divertindo.
Das muitas coisas que não sei, já’ perdi a curiosidade. Sobraram as mais simples e básicas.
As pessoas acham que me encaixo no momento em que estou mais me desencaixando. Estou vazando, liquido, sem limites. Escorrego na borda.
Me ater `a conversa? So’ por alguns minutos. Nos outros estou pensando sozinha em como as palavras da conversa me estimulam. Se não estimulam, levanto e vou embora.
Me apaixonava fácil. Ou sera’ que não me apaixonei de verdade ainda?
Isso ainda falta eu descobri.
Como se tivesse nascido agora.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sem titulo, foto e legenda

-To de ferias da vida de essa ‘e sua obrigacao. Não consegui. Apertou muito os meus braços e eu deixei de ver a luz. Simplesmente os meus lugares são diferentes. Vou encaixar as pecas do meu jeito. Não suporto mais gritos. Mas o que mudou foi a minha vontade de ouvir. E’ incrível como se você estiver com vontade as coisas acontecem mais. Quando não se tem vontade, na verdade não da bola, as coisas parecem que não estão acontecendo com você. Uma questão de percepção. E a vida fica mais em paz. Lagos azuis. Nuvens brancas. Notas musicais que nos unam.
Eu sabia que o fio que conduziria minha vida – em algum momento dela – viria do meu umbigo. Olhei tanto pro meu umbigo que deu mal jeito no pescoço. Quando parei de olhar, saiu. E não ‘e nada de extraordinário, mas foi uma grata surpresa. Sabe quando foi? Antes de ontem. Tao recente. Mas acredito em milagres. Em todos eles, ate’ no mais profano.
E gralha que sou, vou logo anuciando ao meu povo. “ achei! E’ por aqui”. Todos ficam (mais uma vez) felizes por mim. Mas pouco deles acreditam que dessa vez vai.
E’ isso, talvez minha seja uma emocionante crônica, na qual a cada parágrafo você imagina da personagem central “ Dessa vez vai” . E nunca vai, porque a crônica nunca acaba. E o dia que tiver acabado eu não poder anunciar.
Mas não espero das pessoas mais do que um sorriso amigo e uns trocados. A analise agora e’ minha. Vou me analisar sem interferências por um tempo. Sabendo que a qualquer momento volto a pedir por interferência. Quem disser que não sou consciente est’a sendo injusto.
Estou de bem com meu espelho psíquico. Por que não aproveitar as altas da bolsa? Vou correr ate ter fôlego, quando acabar sento e chamo alguém pra me trazer água.
Agora as coisas estão mais fluidas. Ate o meu contato sensual com as pessoas. Me dei conta de que sempre fui atraída por sensualidades excêntricas, a seu modo.
Leio minha historia e a acho emocionante, cheia de coragem. Tive pedras no caminho. E não dessas que todo mundo tem. Eram pedras raras, chegavam a ser preciosas. Mas escalei, ate agora, todas elas. E sempre saio do outro lado.
Me sinto mais teimosa. Aceitei o meu jeito. Fazer o que se acredito demais em mim? E’, foi ante ontem.

domingo, 17 de julho de 2011

You and me, both!





Alguma explicacao para isso? Apenas senti atracao por ela e nao consegui resistir. Mas você não pensou em mim? Na hora H? Voce ‘e podre mesmo, ainda tira sarro. Não estou tirando sarro. Mas o que você quer saber? Não pode simplesmente me perdoar e esquecer? Te perdoar? Não tenho do que te perdoar. Pedrdoa-te a ti mesmo. Erraste por você. Ou quer saber? Talvez não tenhas errado. Ue', você esta falando serio? Esta’ tudo bem entre nos então? Bem? Entre nos? Logico que esta’, so que não quero mais transar com você? Por ciúme? Entao eu não estava certo. Não, talvez você estivesse certo sim, corpo sente mesmo e devemos realizar nossos desejos sempre. Entao não entendo, como não quer mais transar comigo se não acha que errei? Simples: porque fiquei com nojo do seu corpo. Olha realmente você e' uma mulher complicada. Diz que não fiz mal algum que apenas obedeci meus desejos e tem nojo de mim. Sim, posso não ter ciúme, mas tenho ciência do fato de que estivestes tão, mas tão perto de outra mulher. Voce se banhou nela. Sorveu seu suor, engoliu seus fuidos. Penetrou-a, entrou no universo dela. E com tudo isso compartilhou algo que pensei que so sentisse por mim. Não ‘e de desejo que estou falando não. ‘E de um algo especial se cria quando duas pessoas se juntam. Algo inédito e de forma nova. Algo so de duas pessoas. Isso agora você deve ter com ela, se não tem, fazer o que? Valeu a pena o gozo, não valeu? Voce esta falando coisas muito estranhas, andou fumando aquela merda de novo? Por que você esta dizendo que aquilo ‘e merda? Por que esta ofendido. Minha cabeça faço eu. Voce ‘e louca mesmo. Sabe de uma coisa: não sei mais o que temos de tão especial. Aquilo que se criou quando nos conhecemos, como vc diz, aquilo que era so nosso, se perdeu. Não existe mais. Não consigo mais senti-lo. Não faz mais sentido ficarmos juntos. Pode ser. Talvez você ter trepado com outra mulher demonstre exatamente isso. Não faz mas sentido. Te amo também, mas o que eu mais queria não sinto mais. Sempre fomos livres, parece que agora estamos algemados na cama. Verdade, va embora então. E’, acho que vou. OU será que deveríamos tentar alguma coisa? Sei l’a, terapia de casal, aconselhamento matrimonial. Não! Não seja bobo, o que se perdeu, e perdeu. Não podemos perder tempo de vida procurando. Vamos buscar algo novo. E de mais a mais, já vínhamos frustradamente buscando.

Agora, sem você. Moro num apartamento muito alto, como sempre quis. Vejo a noite com janela inteira. Uma pintura, como um livro. Cada estrela, uma letra. Agora, sem você. Meus banhos tem sido demorados e cheios de sonhos, sinto algodão de conforto a minha volta. Como coisas que você não comia, bebo coisas que você não bebia. Ando de calcinha e danço com musicas bobas. Passo esmalte verde nas unhas. Agora, sem você, me emociono quando ele diz bom dia. Sonho com ele. Com você não sonhava mais. Há tempos.

Agora, sem mim. Você passeia de mãos dadas pelo parque. Colhe um rosa. Não esta sozinho. Alguem segura suas mãos quando tens pesadelo a noite. Alguem te entende. Agora, sem mim. Voce adora se olhar ao espelho, acha que dirige super bem e adora dar churrascos. Voce ate’ dorme sem meia.

Agora, sem você. Falo de tudo. Tudo acontece. E quando não acontece estou dormindo. Pintei as unhas de preto. Deixei meu cabelo crescer. Cresci. Tenho dor no joelho direito. Beijo qualquer boca. Leio completamente outro estilo de literatura. Estou mais antipática e menos formal.

Agora, nos dois. Amigos.

Senhora




E a pagina em branco continua aparecendo na minha frente. Como a velha senhora que persegue meus pensamentos. Ela deve ter perto de oitenta anos. Mora num bairro cheio de ladeiras. Adora bromélias e bandeiras. Tem bandeira de todos os países na sua sala. Ela mora sozinha. S’o como o cão. Ela almoça aspargos porque os acha bonitos. Ela mastiga chicletes para se sentir mais jovem. Seu telefone não toca. Não sabe mais porque tem telefone. Suas emergências são tão ignoradas! Ela quase pede que eu escreva sobre ela. Sabe costurar, mas nada rasga na sua casa. A televisão quebrou há muito. Sua vista não permite que leia livros. Não gosta de musica. Sua vida foi estática, sem harmonias.
Já escrevi sobre ela quando estava no colégio, mas ela continua aqui. Sessao de analise.
Sua garganta secou de tanto não falar. Não vê beleza no amanhecer do dia, quando já esta acordada, a senhora que não dorme. Quando surgem estrelas, ela não levanta a cabeça para vê-las. Raramente abre a janela do pequeno apartamento sala e quarto que ganhou um dia de um homem.
O homem era rico. Se engraçou por ela. Mas durou pouco. A senhora já era senhora desde jovem. Um sentimento nela era forte: o ciúme. Foi a única coisa que doeu em seu coração. Nunca chorou por outra razão. Queria o homem. Queria dormir com ele e que a desse um anel. Ficou com um apartamento por pena, que o homem que partiu, sentiu. Depois disso ninguém mais.
Sua higiene e’ neurótica. A senhora esta sempre limpa. Mas não usa perfumes. Não tem penteadeira, batons ou um velho colar de perolas. Não tem jóias. Não brilha. Usa meias pretas, tem os pés longos e as unhas sempre cortas rente `a pele. Os cabelos, ela mesmo corta. Curtinhos. Lava as mãos com sabonete e desinfeta com álcool. Seu sofá ‘e marrom. Tem muitos anos, mas esta novo porque nunca foi sentado. Sua cama e’ como a de um convento. De ferro, colchão duro e uma coberta antiga. S’o. Seu guarda roupas resume-se a seis trocas de roupas. E dois sapatos fechados com cadarços pretos.
Nas poucas vezes em que sai, leva um guarda chuva. Não olha para ninguém na rua. Não levanta a cabeça. Mede cada passo. Compra provisões monásticas e volta para o apartamento onde fica.
Ela pensa. Pensa que não quer nada do futuro. Não conseguiu nada no passado. E no presente ela nada.
Acho que no final da historia essa senhora vai morrer.

sábado, 9 de julho de 2011


Acabei de ler Eugenia Grandet, do Balzac. O livro foi escrito em 1833. Leiga no autor, me surpreendeu a sensibilidade com que ele trata a alma feminina. Ele consegue captar necessidades, frustrações, entender reações e os sonhos das mulheres. Se pensarmos na época em que o livro foi escrito, tal sensibilidade espanta mais ainda.
Alguns artistas conseguem mesmo captar o ser mulher.
O italiano Amedeo Modigliani, o artista apaixonado pelos excessos, famoso na Escola de Paris e um dos principais pintores da primeira metade do século 20, fez retratos da amante Jeanne Hébuterne, que já’ `a época competiram com os retratos femininos feito pelo amigo, Pablo Picasso. O ultimo, feito quando a amante e musa já estava grávida, foi leiloado por 4.9 milhões de Euros. A empatia do observador com a mulher retratada ultrapassa a estilização que o artista adotara.
Jeanne, a amante, renunciara a família, aos amigos e a uma vida de abastada para ficar com o artista, que raramente voltava pra casa e quando voltava, era bêbado. Mas que nutria por ela um amor que parece infinito se olharmos para o quadro e lermos sua biografia. Ela se jogou da janela alguns dias depois da morte de Amadeu, em 1920, e morreu de amor.
Homens sensíveis?
Apesar de ter sido duramente criticado por dizer que só as mulheres normais gostam de apanhar, Nelson Rodrigues sabia profundamente dos sentimentos femininos, mesmo os mais vis. Em Bonitinha, mas ordinária, a personagem canalha se redime depois de ir ao fundo do poço. Ritinha, a prostituta, que sempre guardara a pureza de sua alma em meio às depravações do corpo, nunca gozara. O seu “machismo” pode ser explicado em outra máxima sua, a de que somos todos santos e canalhas, simultaneamente. Isso não diminui em nada os retratos literários que Nelson fez das mulheres que amavam, traiam e matavam em nome do amor. O dia a dia das donas de casa dos anos 50 e 60, que ao irem à feira se apaixonavam e freqüentavam os apartamentos dos amados e a noite estavam bonitas e cheirosas para os maridos.
Chico Buarque 'e outro artista que além das de Atenas, entende os sentimento das fêmeas que desejam ardentemente ser tatuagem no corpo dos homens. Quando ele canta a mulher, a voz fraca por fama, se emociona e parece ter dentro dele a mesma sensibilidade que outros artistas, por meio de outras artes tiveram.
Chico tem varias concepções de mulheres, de santas a putas, de Atenas ate Geni. Canta um amor dolorido que dizem só as mulheres sentem e clamam ser a boca de hortelã na manha do amado.
Por que estou citando esses artistas? Quero falar da mulher do século 21 e o que ela quer. A partir de Freud a mulher ganha também a possibilidade e o estatuto de ser histéricas. Histérica pelo que? O feminismo, que quis e quer acabar com o conceito vitoriano e burguês da mulher que e’ submissa e serve para parir, tão bem descrito por Simone de Beauvoir, na minha opinião, descaracterizou um pouco o sexo feminino. Não! Não somos iguais aos homens. Não somos piores, nem melhores. Somos diferentes geneticamente falando e nosso comportamento também ‘e diverso do masculino.
Queimaram sutiãs, lutaram pelo direito a pílulas e os mesmo níveis de poder. No inicio dos anos 90, a mulher começou ate a usar terno, para se igualar em ombro e altura ao homem.
Quer saber? Sou contra tudo isso. E Simone de Beauvoir devia ser também. Afinal submeteu-se aos caprichos de Sartre como uma boa apaixonada das letras de Chico. Nos, as mulheres, somos seres apaixonados, submissas sim, `as nossas próprias vontades que muitas vezes se encaixam com as vontades dos homens. Vejam bem, não são iguais as vontades dos homens, mas se encaixam.
Queremos ser tatuagem no corpo do homem que amamos. Quem nunca assinou o próprio nome com o sobrenome de um namorado ou um paquera? Quem nunca ficou grudada ao telefone esperando a ligação do dia seguinte? Que mulher nunca acreditou, logo depois da primeira noite, que seria para sempre?
Ate as vadias se entregam esperando serem salvas de tantos pintos que as rodeiam. Sim, as vadias também querem a salvação. Alguém que diga a elas que são especiais e únicas, apesar de serem de todos. Geni não deu para o rico do Zepelim apenas para salvar a cidade. Deu para se salvar também.
Queremos a salvação pelo amor. O delírio são, pela paixão. Queremos uma mao forte que nos pegue pelo cangote. Queremos a voz grossa que nos chame de amor ou de vagabunda, tudo na mesma noite.
Queremos ser semeadas pelo homem que amamos e ver a carinha de um ser que simboliza a junção de dois corpos. Queremos acordar cedo com beijos e flores, ceder às ereções matinais como servas de um amor que carregue durante o dia.
Sim, também queremos cargos de poder e independência econômica. Mas duvido das mulheres que dizem que não precisam de homem para viver. Duvido que elas não se encantem com o elogio diante de um novo lingerie ou de um bolo mal feito. Duvido! Duvido das mulheres que querem ser só’ santas ou só’ putas. A mulher ‘e versátil, ela pinta a unha de todas as cores para atrair o macho. Os decotes não são para o espelho, são para eles, buscam o olhar embasbacado de um homem apaixonado. Ou não?

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Alguns textos sao feito de listas. Coisas que quero, que nao quero, que me arrependo, que me orgulho. Nao gosto mais de textos de listas. Quero paginas sem linhas, para minha letra correr solta.
Ando cismada com o fato de nao conseguir escrever. Triste. Mas as vezes, e so' as vezes consigo.
Queria estar bronzeada e feliz. Assim como uma fotografia. Estampar a felicidade em papel com cor. E roer as unhas anda fazendo parte do meu dia a dia.
Fico neurotica atras de uma resposta. Como carta que se manda ao filho que esta longe. Penso futuro, penso passado e durmo.
Sempre fui dessas que dizem que so o amor salva, e continuo achando isso. Apaixonar-me agora? Seria bom? Entregaria meus dedos faceis a uma argola de mentira. Ou nao!
Vejo brotar uma semente dentro de mim. De prosperidade talvez. Ou e' mais um joguinho que a minha mente joga comigo? Esta na hora de eu dar as cartas. E decidir as regras do jogo. Mesmo escrevendo mal. Mesmo achando que nao e' suficiente.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Assim




Queria que você puxasse assunto comigo. Queria que me dissesse “ e ai?” .

Queria que me escrevesse duas linhas e assinasse “saudade”.

Queria que você tivesse me dado aquele beijo. Ele não precisaria existir por tanto tempo se tivesse acontecido.

A musica não tocou. Não existe musica sem o primeiro acorde. ‘E o mais importante, o primeiro, ou não ? E eu que planejava montar uma radio com você.

Meu cigarro se queimou no cinzeiro, sozinho. Sem que eu tragasse nosso depois. O nosso depois não existe, porque fomos roubados do antes e do durante. Quem nos roubou?

Meu romantismo sempre da de cara com um muro alto. Por isso me acabo em farra.

Gosto de ler o seu nome. Me da vontade de te chamar.

Se pudéssemos lembrar um, o jeitinho do pe’ do outro.

Temos uma intimidade muito natural.

Se eu pudesse ter dialogado o que escrevo com você. Lembraria da sua reação.

Um momento, preciso limpar meu cinzeiro.

............................................................................

Voltei. Me acabando em fumaças.

Sou mais sensual hoje.

Do que era antes.

Sei que posso.

Não bebi sua saliva. Não. Nos meus sonhos, você saliva muito.

Queria que uma luz tivesse brilhado em algum momento para nos dois ao mesmo tempo. Seria uma foto?

Eu a guardaria nas minhas pastas. Trancadas a sete chaves. Para algo ser so’ nosso.

Talvez, com você eu achasse a Lua romântica.

Poderiamos acreditar mais no amanha se tivéssemos nos penetrado. Profundamente.

Talvez não gostássemos da mesma cor.

Não segredamos de liquidificador, não temperamos nada juntos.

Olha, sabe o que eu gostaria de saber? A cor da sua meia!!!

Imagino, e s’o imagino porque não posso me lembrar, que bebida seria nossa favorita? Sim, porque com certeza temos algum gosto excêntrico em comum.

Teri'amos nos dado o céu?

Agora, as 17:18,não iria ao cinema com alguém que não fosse você. Mas no minuto seguinte..

Assim, sem explicação.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

E voce?


Eu tiro meus chinelos.

Piso no frio chão.
Tenho medo de abelhas e gostaria de saber escrever uma musica, letra e melodia. E se possível canta-la sem que ninguém reclame.

Tenho medo de gente também, mas esse medo eu venço. Sempre. Ou não?

Gosto de asfalto no escuro, com aquelas duas listras ‘a frente.

Rezo 2 horas ao dia, por um mês. Fico 3 anos sem rezar.

Eu olho para a cara de alguém e sei se vou gostar dela. Quase sempre acerto. As que não acerto viram melhores amigos. Uma delicia as surpresas da vida.

Tiro prazer do fazer errado. Não faço a toa.

Dificil eu dar risada se não estiver perto de crianças. Elas nem percebem, mas sou eu a que mais se diverte.

Não sou hiper vaidosa com roupa, mas adoro detalhes, material, cor, textura de meias. Adoro meias.

Antes eu tinha medo de dormir tarde.

Sol nascendo não me angustia.

Eu me realizo?

Gosto do azedo e do forte.

Insisto tanto que a pedra ate fura.

Sou tão devagar que pareço rápida.

Minha pontuacao ‘e minha assinatura. Pontuo de uma forma pitoresca, pra dizer o
mínimo. Autoral, fica mais in.

Não sei fazer divisão, subtração. S’o somar e acumular amor. Amei todo mundo que já passou aqui, pela minha vida.

Não escrevo textos retangulares. So os deformes.

Em algumas ocasiões muito especiais da minha vida ouço Bjork e Tom Waits. Com um prazer filho da puta.

Compro livro também pela editora.

Ser’a que as editoras, ao fecharem seus budgets e fazerem seus planos de negócios anuais, consideram o fortalecimento dos sebos, inclusive virtuais? O brasileiro esta aprendendo a re-usar e pagar mais barato por isso. Talvez fizesse uma matéria sobre isso.

Talvez não!

Sou redondamente enganada.

Não me siga que estou perdida.

Nenhum parágrafo explica o outro. Se não, não se bastam enquanto parágrafos. Mesmo parágrafos feitos s’o de perguntas. Nelas já estão as resposta. Quem gosta de gente sabe como fazer uma pergunta, pra resposta já vir da reação antes da explicação .

Amo filme B brasileiro. Barbas grandes, calcas justas, pintos grandes. Meio demode, retro, mas ‘e legal. Não ‘e?

Nunca estou na frente do espelho a essa hora, mas costumo forcar a mandibula quando estou me divertindo. Sera’ prazer?

Tudo o que você precisa. Onde esta? Voce ‘e daqueles que se contenta com de pouco em pouco? Devagar e sempre? Chato isso, hein? Tem coisa que se for devagar não vai chegar a tempo.

Estou pensando em tudo o que preciso.

Sou tempo


Quero acreditar que sou tudo. Tudo que pra mim bastaria. Desconfio as vezes que sou. Mas ai aparecem as barreiras da sociedade, os conselhos, os alarmes, o choque. As pessoas me olham chocadas com as coisas que faço. E’ verdade.

Que não acredito em uma casa, que e' a sempre chamada de sua, sempre com o seu quarto. Acredito ter muitas casas. E elas são sempre muito minha casa quando la’ estou. Sou boa dona de casa. Mas mudo muito. Acho que a felicidade tem endereço. Realmente acredito nisso.

Eu ainda não sei o endereço da minha felicidade. Pode ser que já tenha uma pista do Cep. Mas ainda não sei como chegar la’. Esse negocio de que se você se perder de alguém, deve ficar parado onde esta' que essa pessoa te achara’, e' maior balela. Se se perder, saia correndo, rode tudo o que puder ate achar o que quer.

Fiquei muito tempo no mesmo bairro. Virei conhecida, bairrista, tenho que cumprimentar o porteiro, sabe? Não gosto disso. Gosto de não ser conhecida. Gosto de ser anônima e invisível. Agora ando fazendo pesquisa de endereços.

As pessoas continuam me olhando com espanto. Como se esperassem que eu evoluísse ao que elas acreditam ser evoluído e já estivesse com vontade de me encaixar em alguma coisa. Não, pessoas, vocês estão erradas. Ainda não achei onde. Não se esqueçam a felicidade e' onde.
Vou rodar ate quando? Bem, a principio ate quando achar o endereço da felicidade. E não e venham hipócritas dizer que a felicidade esta dentro de mim. A felicidade esta em todos os lugares. Dentro de mim tem a vontade de ser feliz. Não!

Mas pode ser que quando encontre minha felicidade eu já, já enjoe dela. Ou ela deixa de ser felicidade. Já’ aconteceu antes comigo. Ai faço caminho de volta. E não me sinto nem um pouco Sisofo com a pedra acima morro, pedra rola do morro, pedra acima morro, pedra rola do moro. Mas a minha busca seria em vao, se eu não acreditasse que uma hora vou encontrar a felicidade duradoura. Aquela que esta em harmonia com o tempo.

Sou um tempo , ‘E o que os cientistas concluíram. Que não somos espaço, somos tempo. Sim, porque a cada minutos que somos humanos estamos sendo um tempo. Li na Scientific American. Muito boa matéria.

Eu sou sim, tempo. Um tempo que passa. Que não para.

Minha mãe diz que o tempo ‘e um foguete e eu já estou pendurada no rabo do foguete. Por que será que ela diz isso? Por que acha que eu vou morrer cedo? Ou porque acha que eu já deveria estar em outro estagio da vida e estou com o tempo contra mim. Não mãe, o tempo ‘e sempre a meu favor quando esta’ a minha disposicao.

Ainda da’ tempo de tudo. Sempre vai dar, ate’ o ultimo minuto. Eu ainda quero ver partes que eu não vi. Eu ainda quero fazer trabalhos que ainda não fiz. Eu ainda quero conhecer gente que nunca conheci. Eu ainda quero ter experiências que nunca tive. Quero experimentar mais drogas, mais temperos, mais bebidas locais. Ainda quero comprar jornais de lugares diferentes. Estando em cada um deles.

Ainda quero, e logo, sentar em Montmartre, numa cadeira externa de um café’
parisiense e escrever. Sim, pensar, filosofar, tomar um brandy, fumar um cigarro e escrever. Por que não, gente? Qual o problema? Estou velha pra isso?
Eu tinha que estar pensando o que então?
Eu sou tempo. Não sou O tempo, mas sou tempo.
Me liberte.

Ps. Por favor, facam um esforco para se incomodarem pouco com os erros de portugues. Estou com um teclado sem til, acento, cedilha e etc........ Sorry.

sábado, 11 de junho de 2011

Molhada

O problema é que as horas passam. As idéias mudam, a cabeça fica e o corpo padece. O sentido já perde o sentido. Nada mais é tão querido. A duração ou o tamanho do amor acabam com o conceito dele mesmo. Então tudo vira uma música que tem começo, quando estranhamos o som , o meio, quando nos deixamos levar pela emoção da melodia e o final, quando ela apenas acaba. E depois o silêncio. A escolha de outra música. O cuidado com o repertório. O que ainda faz parte de mim?O que ainda meus ouvidos querem? Que frutas faltam na minha cesta? Penso nas cores, nos sabores e nos cheiros, básica assim, me livro de mim mais um pouco e sou rudimentar como madeira que rachou. Penso em elementos que me deixem sentada na grama, com o pé na terra e a cabeça na chuva. Assim repito a música. É também uma escolha. Por que não ouvir tudo de novo? E de novo.. e de novo. E mais uma vez, até cansar os ouvidos e tentar dormir rezando pro silêncio não ser notado.
As estações que mudam, meus hormônios, minha pele e meu cabelo. Eles caem às vezes. De vezes em vezes. E eu assisto, passiva, a bandeja das minhas limitações ser servida a quem quiser se fartar. Bêbados fazem comentários quebrados e cheios de vírgulas. Como entender o outro fosse tarefa de bandeja. Mas cá dentro estou sentada na terra com a cabeça na chuva, que cai quando quer e sem aviso. Vem de surpresa e eu comemoro que ainda posso me molhar. Vivas.

sábado, 11 de dezembro de 2010

O primeiro trago...


Até acender aquele cigarro ele poderia dizer que havia tido um bom dia. Mas aconteceu de acender. Saiu do trabalho mais cedo. Realizado havia fechado um negócio que sentia muita vontade de fazer. Decidiu caminhar um pouco, sentir o vento da tarde. Caminhou entre as pessoas sentindo que era uma pessoa de sorte. E sorte, como ele diz, é pra poucos. A maioria vive sem ter prazer no que faz e isso arruína a vida de uma pessoa. Ele não! Fazia exatamente aquilo que lhe dava prazer, acordava animado pensando que passaria o dia no escritório. Ainda é solteiro, mas sabe que mais cedo, mais tarde, acaba fazendo um bom casamento. Sim, afinal é um bom partido, tem um emprego, casa própria, viajado. Não demorará a encontrar alguém compatível. Seus pais moram em uma cidade do interior. Por falta de tempo pouco os vê. Nos finais de semana leva trabalho para casa e sai para tomar um chope com os amigos do trabalho.
Caminhou, caminhou pensando nessas coisas . Decidiu sentar numa mesinha de café, na rua, para ver as pessoas passarem e confirmar a cada passo alheio o quanto os seus eram de sucesso. Parara de fumar há seis meses. Mas há algumas semana vinha sentindo muita vontade de voltar. Pediu um expresso curto e um maço de Free. Segurou o cigarro entre os dedos por muito tempo antes de ter coragem de acendê-lo. Ter parado de fumar era mais um traço de seu sucesso e não sabia se estava pronto para deixar isso passar. Fazer uma exceção?
O primeiro gole de café o excitou para o cigarro. Acendeu e foi na primeira tragada que sucessivas ondas de calor e frio tomaram conta do seu corpo. Pensou que fosse tontura do primeiro cigarro depois de tanto tempo. Mas não era. Fumou o cigarro todo e as ondas continuaram. Então pediu outro café e acendeu mais um. As ondas agora estavam em sua cabeça. Mas não eram ondas simples essas. Traziam-lhe lembranças, arrependimentos, vontades escondidas. Estava sentindo-se muito diferente do homem resoluto que sentara-se ali a pouco. Não sabia mais nada.
Foi ao banheiro jogar um água na face. Não se reconheceu ao espelho, não era mais o mesmo. De onde saíram essas rugas? E esse cabelo bem curtinho? Gostava tanto de cabelo mais comprido. Preferiu não olhar mais e voltou para a mesa.
Sentou-se, submetendo à cadeira todo o seu peso, jurando a ela que ficaria ali por bastante tempo. Até saber o que estava acontecendo. Pensou nos pais. Pensou em agora mesmo pegar o carro e ir até a casa dos pais, de surpresa. Mas desistiu. Pensou na Laura, com quem terminara há um ano. Dizia que ela não tinha ambição. Pensou em correr para casa de Laura. Pensou que não teve filhos, apesar de já ter passado dos 35. Pensou em agora mesmo engravidar uma mulher, ou duas talvez, para em nove meses ver o milagre da vida acontecer.
Pensou no seu chefe. Sim, sentia-se reconhecido, mas trabalhava como um louco.E a maior parte dos créditos ficava mesmo era para aquele canalha. Pensou em correr para uma praia, sem notebook ou celular e ficar com os pés na areia até cansar. Pensou nos livros que queria ter lido ,mas o tempo escasso não tinha deixado. Quase correu para livraria ao lado para comprar pelo menos 10, sentar e ler até eles acabarem.
Há quanto tempo não ia ao cinema? Pensou em descobrir alguma mostra de cinema internacional e assisti-la inteira. E um porre?? Ah, isso fazia muito tempo. Pena que o Café onde sentara não tinha bebida alcoolica. Mas passaria no supermercado comprar vinho ao sair de lá.
Lembrou da Road Trip pelos Estados Unidos que seus amigos de faculdade fizeram no ano passado. Ele havia sido convidado. Mas pensou que road trip não era mais para sua idade. E não foi. Ficou trabalhando. Lembrou também do colchão de água que sempre quis e nunca teve coragem de comprar.
Um cigarro atrás do outro e ele percebia que sua vida não era tão boa sim. Que seu dia havia sido sim, uma merda. Será que ainda dava tempo de fazer tudo isso? E rápido?
As ondas começaram a passar e ele se sentiu melhor. Sem o menor sinal de vergonha ou consciência, fumou o último cigarro do maço. Levantou e pensou: tenho que parar de fumar.
Voltou para casa sem o vinho.