terça-feira, 6 de outubro de 2009

Pouco amor não é amor


Parei no final da escada. Dali dava para ver a platarforma. Não tinha certeza de que ele viria. Acabei a escada e comecei a caminhar por toda a plataforma. As pessoas chegaram e tomaram seu rumo e por alguns segundos, antes do próximo trem, estava tudo deserto. E foi naqueles poucos segundos que vi nossa vida passar bem diante dos meus olhos. Sim, ele não estaria na plataforma. Agora era certeza, nem nessa, nem em nenhuma outra. Ele não estava nesse trem e não estaria em nenhum outro também. Não! E lhe dou razão. Na verdade é minha obrigação estar ali esperando. E só.
No caminho de volta para casa, comprei duas garrafas de vinho para tomar sozinha. Coisa que só faço quando estou muito triste. Estava um frio cruel e o vinho ia me ajudar a descongelar as idéias e metabolizar a espera inútil pela qual tinha passado.
Cheguei em casa, Rob, que divide a casa comigo estava sentado na cozinha. Ofereci o vinho, mas ele percebeu que eu estava precisando beber sozinha. E assim abri a primeira garrafa. Abrir garrafa de vinho tem algo de mágico. Sinto sempre que algumas verdades serão libertadas com a rolha que receia sair. E assim sempre o é. Sentei no sofá, de meia e com o vinho na mão.
Ele não veio e não virá. Mas isso não tem mais importância. Desde o primeiro dia eu sabia que o estava afastando. Estava rejeitando todo e qualquer tipo de amor que ele tinha para me dar. Um dia ele entendeu isso e desistiu. Viu como é simples?
Na segunda taça de vinho lembrei de nossas viagens juntos. Como dei pouco valor para as coisas, como fui tola. Poucas fotos, isso diz tudo.
Na terceira taça: noites e noites a fio que passamos juntos, lendo, conversando, bebendo e fazendo amor. Pouco amor não é amor, já disse Nelson Rodrigues. A verdade é que não era pouco amor.
Pouco amor não é amor. Pouco amor não é amor. E essa frase ficou martelando minha cabeça. Vinho. Vinho. Pouco amor não é amor. Ele te deixou esperando na plataforma e pouco amor não á amor. Ele nem ligou e pouco amor não é amor. Ele não volta mais e pouco amor não é amor. Você acha que sofre e pouco amor não é amor.
Segunda garrafa de vinho. Pouco amor não é amor e eu pouco deixava ele me tocar. Fui rígida o tempo todo. Tantas partes do meu corpo inexploradas por aquele que eu dizia amar. Pouco amor não é amor.
Lembrei de quando alugamos o primeiro apartamento. Voltamos bêbados para casa uma noite e mal podíamos acreditar que aquela era nossa casa. Tanta alegria. Pouco amor não é amor, mas aquela noite foi muito amor. O primeiro apartamento ninguém esquece.
Ele sempre foi tão doce e eu sempre tão amarga. Cheia das letras, revistas, jornais, amigos iguais. Cheia das massas, vinhos e queijos. E se ele gostasse de lingüiça frita e cerveja e poucos amigos,seríamos diferentes? Não sei mais. O fato é que hoje estive na estação e ele não estava lá. Pouco amor não deve mesmo ser amor.

7 comentários:

Carol disse...

Oieee. Td bem com vc?? Passando pra conhecer. E amei. Muito fofo e aconchegante seu blog. Espero tua visitinha no meu ok? Beijos. E tenha um ótimo dia.

Vivian disse...

...ai
não vou nem filosofar, se
é pouco amor ou muito amor...

eu só sei que AMO ler você.

e não é pouco não...
é muitão...

te amo, linda...

aliás, que lindeza na foto!!

arebaba!!

smacksssssssssssssss

tossan® disse...

Se é pouco ou bastante eu sugo! Gosto do texto, mas gosto do vinho na alegria, linguiça nem na raiva! Beijo

Alexandre Henrique disse...

Camila Tebet ¨A vida é tão estranha que não se conta o tempo¨ Já me dizia um amiga. Belíssima imagem. Linda Camila, que bom te ler. O amor é amor acho que não dá pra se saber o quanto é, mas o sofrimento sim este agente sabe.

Calu Baroncelli disse...

Amor se sente, sua intensidade não se quantifica, porque amor não tem medida, não tem forma exata, amor não se ajusta, amor se sente, amor se respira, amor se sofre também, às vezes.

Anônimo disse...

Bastante interessante sobre o amor que é pouco... o amor que é sempre... mas e o amor enganado? Aquele que parece que existe, mas não é nem pouco e nem muito... é apenas conveniente? É possível?

Juliana disse...

Pouco amor não é amor mesmo!