Às vezes morro. Só um pouqinho, mas morro. Morro de sono e não durmo. Morro de fome e não durmo. Não durmo porque me dói morrer. O morrer consciente é daquele tipo de dor que desespera. Aquela dor que grita, berra, urra. E eu morro às vezes. Morro de dor. E a dor não tem depois. Dor é sempre agora, doer muito. Dor é certeza de que não vai passar. Dor é cor viva, é cor que escorre, que esbanja sangue,esbanja eu. Dor me desperdiça. E eu morro ás vezes. Morro de verdade. Não vou a lugar algum, porque morrer me deixa parada. Morrer me é pó. Sem gramática, morrer me é pó. Morro de fogo que destrói. Morro de água que afoga. Morro sem ar. Morro sem respirar e sem tocar. Morro. Às vezes.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Festa em terra larga
Meu peito é sempre agitado, brinca ao som de músicas antigas. Brinca comigo, me faz escrava de movimentos. Parada, eu canso. Então não fui! Para em outro lugar fazer coisa melhor. Para sambar com meu corpo, sozinha à meia luz, para tirar os excessos e brincar no espaço vazio. E quem fala de espaços está preenchendo linhas. E quem tem medo de perder as palavras tem muitas delas e não sabe como usar. E quem tem medo de escrever está preso à alguma obrigação estética que não faz sentido algum.
E eu me soltei no meio da avenida, procurando olhar cada movimento à minha volta no meu ritmo. Olhando as coisas devagar, elas demoram mais a passar e o prazer pode demorar mais também. A pressa é inimiga do prazer, a pressa é inimiga do palácio.
Um palácio sem rei, sem rainha, sem príncipe. Um palácio anárquico de sons e luzes. Um palácio molhado de boas bebidas que geram discussões bobas. Bobas assim, como deve ser a vida. O hoje é bobo e é meu. Hoje só. Amanha é uma alegria que me faz ranger os dentes só de pensar. E eu nem canso.
Ando pelos jardins do palácio que tem a grama alta e ninguém quer cortar. Ando de pés descalços, pois perdi meu sapato na última bebedeira. Meus amigos tocavam violão, talvez Legião para acampamento, no jardim do palácio. E os serviçais fazem sexo livre nas poltronas antigas porque tudo saiu da ordem. Porque a ordem não é mais ordem, é bagunça. E bagunça da boa, que deixa memória para vários dias. E até um palhaço apareceu, pintado dele mesmo e rindo de todos nós. Rimos também, afinal a vida é feita para sorrir e não para apagar luzes nem fechar idéias.
Todas as idéias estão abertas, procurando razões ou contradições. Todas as idéias estão aí para serem mudadas ao sabor do vento que sopra no ouvido de cada um. Um ventinho assim, diria brisa, que bate leve e faz tudo ir à direção contrária. E daí se quem olha diz que não entende? Não posso mais que isso. E isso aqui tá muito bom. É tempo de festas anárquicas, de livros novos, de lançamentos de foguetes, de sexo livre e de ordem invertida. Uma meia de cada cor e eu inteira de paz. Vestida de mim mesma numa festa à fantasia no jardim do palácio de terra larga.
Até uns loucos apareceram nos chamando de loucos. Rimos muito. Afinal, quem não é louco está com a porta fechada. Colorida a porta, azul ou vermelha, com cadeado. Mas combinamos, todos da festa do palácio, chutarmos a porta até ela abrir. E vamos chutar, mais tarde quando a bebedeira passar. Ou chutamos agora? Um balé de chutes libertadores, de gritos de horror frente ao triste. Um protesto contra o cinza. Isso! No jardim do palácio de terra larga, faremos um protesto contra o cinza. E quem pode nos julgar? Hã?
domingo, 29 de junho de 2008
terça-feira, 24 de junho de 2008
Sonho Verdade
O meu corpo se movimenta na ansiedade de ser alguma coisa que sabe o que vê. O meu sangue corre, o oxigênio transporta, tudo na busca da palavra para escolher. E então, por alguns minutos, desejo não ser humana, desejo me desumanizar de alegria, de ser neutra para não ter que escolher. Mas os rabiscos foram feitos com força de mãos poderosas. O carvão entrou na porosidade da parede para dizer alguma coisa. Penetrou o branco para dar escolha. E por ser humana acabei ali, no quarto branco de riscos definitivos na parede. A morte também é escolha. Mas o meu humano não escolhe morrer para não ter que escolher. Porque morrer é escolha.
O neutro não é escolha. O neutro é preso dentro de si e em si, basta! O neutro não se movimenta. O neutro não escolhe. O neutro é um inferno que às vezes parece paz. O neutro é o fim do que há pouco era pura decisão. E decisão arde. Fogo de transformação. Faz virar pó e a daí mais escolhas de como ocupar o espaço que se destruiu em fogo. Arder não é neutro. Neutro é falta de sentir. Neutro então é paz de não saber. Mas as palavras ali gritam: SONHO OU VERDADE.
E já que humana, desejo ser duas, para escolher as duas. E como humana sonho, em ser duas. E como humana sonho que a escolha pode ficar para amanhã, quando talvez o quarto acorde cheio de cores e eu possa escolher por outros padrões. Se sonho tiver uma cor e verdade outra, então escolho pela cor. Mas não! Ser humano que já escolheu o sonho das cores acaba de desistir da verdade. Mas foi só uma suposição. Não sonhei ainda. Não escolhi.
Sonho. A capacidade de acordada imaginar o que está longe de mim. A, muitas vezes, covardia de imaginar o que não posso. E sonho dormindo, aquele que o poeta disse ser o mais próximo contato comigo mesma, o que então seria a verdade. Pronto, então não preciso escolher. Sonho e verdade são a mesma coisa.
sábado, 21 de junho de 2008
SEM HISTÓRIA
Hoje eu acordei para escrever uma história. Só para uma história, depois volto a dormir. Uma história curta ou longa, ainda não sei. Uma história difícil ou fácil, estou esperando ver como está o tempo aqui dentro para decidir. Acordei querendo ver mundos para escrever a história. Todos os dias acordo para escrever histórias. Mas hoje é uma história do que sei. A história do meu mundo. Do meu mundo de verdade e não da ficção. Sem rimas, estrofes ou métricas, pois isso eu não sei.
Acordei com raiva do que não dá certo para escrever histórias. Acordei brava com o copo de água que tomo de manhã. Na verdade esperando inspiração de amores em cartas, esperando inspiração na letra alheia. Esperando chuva de idéias à qual sempre fui grata e hoje sinto saudade. Histórias de Camilla. Histórias assim, dessas cheias de percalços. Cheia de quereres e de decepções. Cheia de controles e descontroles. Acordei para dizer a mim mesma que minha história de hoje eu vou escrever.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Sabe aquela mulher?
Sabe aquela mulher que nasceu tão cor-de-rosa?
Sabe aquela mulher que aprendeu tudo bem devagar?
A mulher às vezes não gosta de passar batom e usa tênis e jeans todo dia? Sabe aquela mulher que toma café com açúcar?
Aquela que pede PF com banana?
A mulher que à noite passa um perfume mais forte?
Que rói a unha sem vergonha?
A mulher do lado de lá e do lado de cá?
A mulher que contou história para criança dormir?
A mulher que ouviu histórias antes de dormir?
Aquela que chora nos cantos quando fica triste?
A mulher, assim, assim, assado?
A mulher blá-blá-blá bunda?
A mulher que ficou brava e agora só usa roxo?
Você não lembra daquela mulher?
O cheiro dela fica no banco do carro e o corpo é quente as mãos frias.
Sabe aquela mulher que cansou de ouvir e foi embora?
E que teve tanta raiva que gritou?
A mulher que tatuou borboleta no ombro e tomou caldo de cana de manha?
Aquela mulher que riu de dor e gozou de amor, sabe?
Então, ela quase morreu. Mas está viva.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
A casa, a chuva e a carta
As roupas estavam penduradas no varal lá fora, no jardim da casa de lajota vermelha. Anunciava chuva. O céu escurecia. Um vento gelado batia nas flores das janelas que ainda estavam abertas. Eu estava sentada no escritório, na poltrona marrom que já tem alguns rasgos de histórias lidas e contadas. Estava absorvida pela carta que lia. Não conseguia tirar os olhos do papel. Eram duas páginas de uma história que um dia fora minha também.
As roupas começaram a “ventar” no varal. Eu podia ver da janela do escritório - que tem prateleiras de livros por quase todas as paredes. Livros muito meus. Mas não conseguia largar a carta para recolher a roupa no jardim que tem uma jabuticabeira e algumas muitas flores.
Esse jardim estava completamente abandonado quando mudei para essa casa, que agora é minha e tem uma cozinha amarela. Mas foi o que me atraiu. Fiz planos para hortas e muito mais. Acabei ficando com árvores, plantas e flores. O jardim verde me faz feliz. Tem uma rede azul cor de céu lá fora também. Mas estou aqui com a carta em minhas mãos olhando para a mesa antiga, que um dia fora do escritório do meu bisavô e hoje me serve de mesa de trabalho. Em cima dela, um notebook de última geração. O velho e o novo no escritório da minha casa que tem lajotas vermelhas e livros.
Se chover, vai molhar tudo. Mas o conteúdo da carta é tão sério que estou quase assustada. Estou nervosa, mesmo já tendo lido algumas vezes. Meus pés frios estão descalços sobre o tapete colorido de tear que comprei para o escritório, assim que mudei para essa casa, que como já disse, hoje é minha.
Ventania, dessas que só aqui na minha cidade pode-se ouvir o barulho. Ouço os vizinhos correndo para fechar as janelas e ouço portas batendo. Mas o começo da carta diz assim:
“É tanta saudade que fico acanhado só ao imaginar o tamanho que esta carta terá. Não quero tomar muito do seu tempo com minhas histórias, sei que você deve estar ocupada, como sempre esteve. Mas olhando para essas folhas em branco consigo ainda – apesar do tempo – ver seu sorriso largo e radiante, seus cabelos que espero ainda longos. Essa imagem me traz lágrimas e vontade de te contar tudo o que me aconteceu desde que te deixei”.
Bem, esse é apenas o começo da carta que o carteiro, que é meu conhecido, trouxe essa manhã junto com outras. Eu tinha acabado de coar o café no coador de pano quando ele tocou a campanhia. Chamei para tomar café comigo, o carteiro meu conhecido, antes mesmo de passar os olhos pelas cartas.
Minha cozinha é colorida. Amarela, como disse. O chão é ainda de lajota vermelha e as paredes são amarelas. As prateleiras são abertas, sem portas. Estavam assim quando eu cheguei e gostei da idéia. Lá coloquei toda minha louça colorida e meus livros de culinária. Comprei panelas novas só para enfeitar as prateleiras à mostra. A cozinha é ampla com uma pia de mármore branco que o ocupa uma parede toda e fica embaixo de uma janela bem grande. Adorei a casa à primeira vista, pois de todos os ambientes eu posso olhar o jardim através de grandes janelas.
O carteiro tomou o café comigo na cozinha onde a janela está aberta até agora e me entregou a carta, que só fui ver depois que ele se foi. Estranhei ao ver uma correspondência escrita à mão. Tudo hoje vem por e mail. E por incrível que pareça, não reconheci a letra dele. Foi só quando eu vi de onde vinha o selo é que percebi ser dele. Joguei todas as outras em cima da mesa de fórmica azul da cozinha e corri para o quarto.
O dia já estava começando a esfriar e eu descalço nas lajotas vermelhas do meu quarto com pé direito alto. Sentei à beira da cama de madeira antiga, na qual durmo. Essa cama deve ter uns cem anos e me apaixonei quando vi numa loja junto com um guarda-roupa ao mesmo estilo. À época eu já tinha uma cama, que já tinha sido nossa. Mas dei de presente e comprei essa, para recomeçar a vida dormindo em paz. Aqui faz frio e adoro edredons e colchas coloridas e quentes. O meu é vermelho e laranja para quebrar o escuro de tanta madeira.
Sentada na cama, hesitei antes de abrir a carta, lógico. Faz tanto tempo! Olhei no espelho da penteadeira e avistei, lá de longe, uma lágrima tímida. Olhei em volta do quarto, senti que o vento vinha da janela aberta e decidi que essa carta deveria ser lida na minha poltrona de leitura no escritório, onde leio meus livros, onde dou parte dos meus dias para ficção.
Agora, já na décima leitura da carta, paralisada, não consigo parar de pensar na chuva que vai cair. Mas a carta continua assim:
“Sei que você deve ter achando estranho eu não ter chorado na despedida. Mas me conhecesses bem, sabes que não e fácil para mim mostrar meus sentimentos. Saiba que logo que entrei no avião desabei de chorar o grande amor da minha vida que ficara para trás. Você sabe que sempre foi e ainda é meu amor, não sabe? Espero que nunca tenha duvidado disso, apesar de eu ter te deixado.
Chorei muito durante o vôo todo e muitos dias depois que cheguei aqui. Por isso te liguei tantas vezes. Pena que você já tinha se mudado e ainda não tinha telefone. Foi muito difícil recomeçar a vida sem você. Mas os dias, semanas, os meses foram passando e eu fui descobrindo caminhos que à época eu achava que me fariam feliz. Não deixei de chorar por você nem um dia sequer, mas decidi respeitar sua decisão de não querer mais falar comigo. Afinal, eu te deixei”.
Estava pela décima primeira vez nesse ponto da carta quando a chuva começou. Garoa, eu pensei. E nem se tentasse teria forças para fechar tudo. São muitas janelas. Um café já frio e muitos cigarros embalavam a leitura da carta e nada poderia interromper esse momento.
“Eu fui ficando apesar da certeza de que havia perdido você. Fui refazendo a minha vida. Alguns dos planos que te contei antes de vir eu consegui concretizar. Mas não o principal. Tenho uma pontinha de vergonha de te contar que não fiz o que vim fazer. Mas coisas legais foram aparecendo. Eu logo comecei a dar aulas. Acredita? Dei aulas aqui também. E me envolvi diretamente com a direção da escola. O que foi interessante para o período. O dinheiro era legal, o trabalho, desafiador e tudo isso me deixava um pouco menos triste por estar tão longe de você. Por que você não veio comigo? Eu te convidei tantas vezes.... Bom, o primeiro final de ano foi triste demais. Lembrei os Natais que tivemos juntos, do que poderíamos fazer se você estivesse aceitado o convite e vindo comigo. Você não veio”.
Quando cheguei nesse ponto da carta a chuva já estava caindo forte. Olhei para as roupas no varal do jardim e já estavam molhadas. O que me deixou mais calma, assim não precisava mesmo recolher. Continuei lendo, quase sem piscar, a carta que recebera hoje de manhã.
“Até entendo que você não tenha aceitado vir logo que eu vim. Mas poderia ter vindo depois. Tentei falar com você várias vezes, mas você não me atendeu. Sua mãe me disse que você não queria falar comigo. Só me restou sofrer e ver a neve cair, sozinho. Mas saiba que te comprei um presente naquele natal e guardo comigo até hoje.
Esse primeiro inverno eu passei totalmente envolvido com a escola. Mas em junho daquele ano, quando o verão já estava por aqui, decidi ir para o sul, trabalhar perto da praia. Sabe, você sempre teve razão, eu estava mesmo perdido, achando que a felicidade estava nos lugares e não em mim. E foi nesse verão que conheci a Claire. Demorei a assumir um relacionamento com ela, porque no meu coração ainda estava casado com você. Mas como você não aceitava nenhum contato e eu encontrei uma pessoa legal, as coisas acabaram rolando. Mas não foi tão simples assim, como te conto agora”.
Quando cheguei novamente nessa parte desnecessária da carta fui até a cozinha pegar mais café e limpar o cinzeiro. Troquei a xícara. Tenho uma coleção delas, todas muito coloridas. Nem reparei mais na chuva, só senti um cheiro bom, uma mistura de terra molhada e cafezinho quente. Voltei para minha poltrona e acendi mais um cigarro para continuar a leitura.
“Nós alugamos uma casa juntos perto do mar. E foi quase um ano de muitas aventuras boas e loucuras também. Trabalhei bem menos e com muito menos afinco. Saíamos todas as noites. Bebíamos muito. Você conhece o ritmo aqui. Mas logo me dei conta que aquilo não era mais para mim. Você sabe, eu vim em busca de mim mesmo, de amadurecimento e não de festa. O novo relacionamento também já não estava tão legal. Foi quando a Claire chegou com a surpresa: estava grávida. Bem, espero que você não esteja me odiando ainda mais ao ler essas coisas. Eu preciso te contar. Você sabe como sempre fui fascinado por crianças e por ter um filho. Aquela notícia me renovou os ânimos e decidimos tentar nos acertar.
Lembra que pouco antes de eu vir embora você me disse que eu logo encontraria alguém e teria um filho? Como você sabia? Você sempre teve isso de prever as coisas, principalmente comigo. O assunto filhos sempre foi motivo de muito desacordo entre nós, não é? Vai ver foi por isso que você previu.
Curtimos loucamente os primeiros três meses de gravidez. Montamos o quarto do bebê, compramos roupinhas. Eu estava realmente feliz com a idéia de ser pai”.
Acho que tomei muito café lendo a carta. Meu coração disparou. Corri ao banheiro e por um segundo pensei que fosse vomitar. Ajoelhei e tentei, mas não consegui. Levantei me segurando na prateleira de cimento vermelha e me olhei no espelho.
Lavei o rosto, a ânsia de vômito passou e voltei à poltrona para terminar a carta.
“Mas infelizmente, com 13 semanas Claire perdeu o bebê. Fiquei muito abalado, nem sei como te contar o que senti. Não conseguimos passar por esse momento tão difícil juntos. Eu a deixei. Mais uma vez mudei de cidade. Na verdade eu nunca cheguei a amá-la, mas aquele filho sim, e fiquei sofrendo essa perda por muito tempo. Mais uma vez tentei entrar em contato com você e nada. Dois anos já haviam passado. Eu fiquei quase seis meses na casa do meu irmão até me recuperar e voltar à vida normal. Me chamaram na escola, fui me refazendo aos poucos.
Sabe, as viagens que fiz nesse período todo teriam sido lindas se eu as tivesse feito com você. Fui a lugares maravilhosos, alguns que você já conhece, outros não. E em todos eles, você estava no meu coração.
Sua mãe não me deu mais notícias suas. Então não sei se estás casada, solteira, namorando. Mas vou arriscar me ajoelhar à sua frente, pedir perdão e espero que você, minha doce amada me aceite de volta.
Seu sempre.
Xxxx”
Dobrei as páginas, coloquei-as de volta dentro do envelope em cima da mesa. Pensei em tirar uma soneca na minha poltrona marrom de leitura, foi quando me lembrei da chuva. Mas aí já era tarde demais. Com todas as portas e janelas abertas a água molhou toda minha casa. Fui ao jardim tirar as roupas do varal e acabei me ensopando também. Minha casa está molhada e eu também, mas te digo: o cheiro de chuva está uma delícia.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
EU SABIA QUE NÃO ESTAVA FICANDO LOUCA!!!!
Campeonato de arremesso de celular acontece no sábado, em São Paulo
Você não leu errado. No próximo sábado, às 15h32 (!), na Rua Arthur de Azevedo n°1, vai acontecer o primeiro campeonato brasileiro de arremesso de celular. Para participar é preciso ser maior de 18 anos.
Segundo as regras da competição, a forma de arremessar o celular é livre, é obrigatório arremessar o celular sem bateria e o participante se compromete a doar o celular ou o que sobrar dele para a organização. O ganhador é aquele que arremessar mais longe o aparelho.
Você participaria de um campeonato de arremesso de celular?
É a primeira vez que esse campeonato acontece no Brasil, mas não no mundo —segundo o site Querido Leitor, que apóia a iniciativa, ele também acontece na Estônia, na Inglaterra e na Finlândia, entre outros.
No ano passado, o campeonato mundial de lançamento de celular foi realizado na Finlândia e o ganhador foi um jovem artista de circo que, em vez de arremessar o portátil, ficou fazendo malabarismos.
Esc
quarta-feira, 11 de junho de 2008
ÂNSIA
A fada, aquela que de tanto madrinha, cansou de dar presente, foi viajar, ano sábatico, e não posso contar com ela. Períodos helênicos com pouca força.Estou com ânsia, vontade de vomitar verde, sem nem ao menos uma letra. Desacredito rimas, desacredito composições pretensiosas. Sonho travesseiros de pena e acordo com pena de mim. É tudo parte mentira. É tudo parte. Nada valida. Nada confirma. Não é? Então me mostra onde errei? E não me venha com essa que é errando que se aprende.
Amor de ontem é amor de ontem. Palavra de hoje é coisa que deveria ter ficado numa das mil gavetinhas da minha mente. Imagens roubadas deveriam ser pagas e elogiadas. É tudo um roubo, um furto. Decoração é visual, música é entretenimento. Eu não sou parte. Eu sou disforme e à parte. Meu cardápio está pela metade. Sem bebidas e sem sobremesas. O prato principal está demorando muito e os començais desistindo dos pedidos. O garçom está bem vestido, o restaurante bem decorado, mas a comida não satisfaz.
Os dias estão iguais. E não tenho isso de falar de cinza. Dia é dia. Cor é cor. Seja de que cor for, estou falando mal dos dias. Perguntei a alguém o que achava, ele disse que botava muita fé. Assim como deve ter fé naquilo que não vê. Porque por aqui também não se vê. Aqui é falta do que quero ser. Está faltando e eu achando que não.
E falando em ânsia, não anseio. Não anseio. Não anseio. É isso. Aconteceu assim. De uma hora pra outra a decisão foi tomada e agora escrevo assim. Tem volta, mas ainda não posso optar por ela. Por enquanto minhas palavras dormem, com ânsia de não acordar.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Medrosa
Me disseram pessimista. Eu não sei o nome, sei que sempre espero sentir medo. E quando melhorei do resfriado fiquei com medo de sair ao sereno e ficar mal de novo. Fiquei com medo de ficar na cama e perder tempo de vida. Fiquei com medo de ler um livro e meus olhos doerem. Fique com medo, enfim.
Ele me acompanha, como um fantasminha que só eu vejo. Mas a imagem que passo é outra. Ninguém acredita muito que tenho medo. Sabe, tenho cara de coragem. Tenho cara de quem sabe trocar pneu, tenho cara de quem sabe brigar com o mecânico por um preço justo, tenho cara de quem não deixa ninguém passar na minha frente na fila. Tenho cara de quem não tem medo de nada.
Um dia disse ao meu companheiro à época que eu era a pessoa mais medrosa que ele poderia conhecer. Até medo de ir a banheiro de madrugada eu tenho. Não sei se ele acreditou, mas me deixou. Achou que estivesse com uma mulher mais corajosa. Quem quer uma mulher medrosa ao lado? Fui atrás dele e disse que entre os meus medos não estava o de perder um homem que tinha medo de viver com alguém com medo. Entendeu? Esse medo eu não tenho. Ele me deu um ok e continuou indo embora. Eu já era história.
Para um outro companheiro, disse que me desculpasse por tudo o que eu estava deixando faltar no nosso relacionamento. Ele também me deixou. Saber que faltam coisas, tudo bem, mas assumir essas faltas, não! Ele ficou com medo e foi-se. Fui atrás dele e disse que eu não tinha medo das faltas, que esperava descobri-las para preenchê-las com amor. Mas ele continuou indo.
A uma amiga eu disse que tinha medo de machucá-la e por isso estava me distanciando por um tempo. Ela se foi, também. Fui atrás dela e disse que não tenho medo de ser sincera e me preocupar com os sentimentos dos outros. Mas ela queria uma amiga ao lado, machucando-a ou não. E eu não sou assim. Ela continuou indo.
A um homem muito importante na minha vida, eu disse que tinha muito medo dele. Foi como se tivesse colocado um espelho à sua frente. Ele não aguentou. Se foi e eu nem consegui mais acha-lo para dizer que quando alguém nos causa medo é porque o amor não existe. Mas disse a mim mesma, e bastou para lidar com a perda.
E a mim, hoje, me olhando bem ao espelho digo que tenho medo de mais uma gripe, de ficar sem grana, de não conseguir escrever, de perder amigos queridos, de não dar conta de amar, tenho um monte de medos. Eu não fujo, não vou embora. E repito a mim mesma que são esses medos que fazem de mim o que sou. Medrosa.








