segunda-feira, 17 de março de 2008

Voadora


Eu costumava voar. Abria as asas, mirava o destino e saía destemida, voando, sem medo das caras surpresas. Voava assim, simplesmente como quem voa. Deitava à noite na cama e decidia que queria voar. Punha os braços à frente e o vôo começava. Ninguém me disse que não poderia mais voar. Ninguém me contou que na verdade não tenho asas. Foi assim como comecei, parei. Uma noite deitada na cama, à meia luz, tentei voar. E caí de bunda no chão. Não lamento o talento perdido. Talvez tenham sido erros aerodinâmicos os vôos que fiz. E em algum ponto do universo, agora os botões foram ajustados e nada mais justo do que eu não poder mais voar.

Aceito. Agora vivo com os pés no chão o dia todo. Quando deito à meia luz e me entedio já sei que não posso voar. E não me venha com essa de vôos internos. Não! Bons são os vôos de verdade. Um dia te conto o que já vi lá de cima. Por enquanto vou ficando aqui embaixo sem decolagem, vôo ou pouso. Fico no chão, na terra, com pés cambaleantes e não firmes. Afinal, apesar de não poder mais voar, sou uma voadora.





DECISÃO FATAL:

Se a internet funcionar, talvez eu pegue o meu cartão de crédito imaginário e compre uma passagem pelo cheapflights para voar com asas alheias.

3 comentários:

Luci disse...

Sim, uma voadora! Isso é o que você será sempre. Querendo ou não, cainda ou não, segurando ou não... Sim, você pode voar. È alada. E isso é o que te faz tão especial.

Olha, to adorando esse seu novo espaço.

Bjo!

meu favo de mel disse...

Camilla, estou há tempos lendo seus textos e só agora parei pra escrever, trabalhei dois anos com Luciana, por meio dela cheguei aos seus blogs, fantástico, uma viagem nas asas da imaginação. Feliz por participar deste universo mágico e livre. Bjo, espie o meu também.

João Neto disse...

"Ninguém me disse que não poderia mais voar. Ninguém me contou que na verdade não tenho asas." (Camilla)

Voe
Voe sempre
Não pare
Não canse
Não desista
Bata suas asas
Bata-as com força
Vá longe
Mas volte
Não nos deixe voando
Sem notícias suas
Sem o vôo das suas letras
Sem a certeza
De que também podemos voar