quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Amor assim, tem fim!


Eu que nem pensei em te ligar! Só porque você não liga pra mim. Entendi, porque um pássaro veio contar ao pé de meu ouvido (cansado e com zumbido), que seu telefone estava quebrado. Mandei o pássaro embora e disse que só acredito vendo na terra os buraquinhos da chuva. Só sentindo o cheiro de chão molhado, acredito que choveu e o telefone quebrou. Mas telefones não quebram sob chuva.
Dois dias mais sem suas ligações e o telefone estava funcionando. E a dor da minha espera era como roda fina de bicicleta que tem a sorte do equilíbrio; deixa marca tênue no chão; a roda fina da bicicleta. E assim era minha dor: rodante.
Estrangeira, a vontade que senti de falar com você, vinda de fora, lugar longe, sem condições de estadia. A vontade estrangeira não agüentaria ser boi em terra de vacas e se deportaria por vontade de voltar para casa. A vontade iria ceder à saudade de casa. Estrangeira, adjetivo que vontade não quer e joga fora.
Mesmo que eu ouvisse suas palavras tão suaves, com respeito, diria, até profissional pela minha vontade, de nada adiantaria. O amor é história que precisa de cenário, tempo, figurino e iluminação. Tratamento de som e de cor. Edição, cortes, revisão e lançamento. Somos apenas dois personagens perdidos num camarim roubado, com água em copo plástico. E fazer amor assim, tem fim.

13 comentários:

Dauri Batisti disse...

Esperar uma ligação é muito ruim. Quer dizer, esperar qualquer coisa é ruim. Melhor é ler algo como este texto e montar, pelo menos na imaginação, um cenário bonito para a história de amor de amanhã.

Daniel disse...

É difícil e complicado quando os corações estão em estações diferentes. Bjus.

http://so-pensando.blogspot.com

Narradora disse...

"O amor é história que precisa de cenário, tempo, figurino e iluminação. Tratamento de som e de cor. Edição, cortes, revisão e lançamento.Somos apenas dois personagens perdidos num camarim roubado, com água em copo plástico. E fazer amor assim, tem fim."
Adorei essa parte final.
Bom, às vezes uma produção de baixo orçamento vira "arrasa-quarteirão", mas isso só às vezes.
Ps: Nada mais provisório que copo plástico...Muito legal a imagem.
Bjs

Assim que sou disse...

Sim...amor não pode ser produção chinfrin, sem investimento, cuidado, esmero estético e conceitual. É sempre espetáculo grandioso, quase um musical da Broadway. Não importa o tempo que a temporada dure ou se a crítica foi ou não cruel. The show must go on!!!

bjs. Veronica

A Senhora disse...

E se depender de uma conexão que nem sempre é confiável... é como água em copo plástico.

Bjs

Clarissa Marinho disse...

Pois é,as vezes tem sintonia,falta sincronicidade,as vezes vc tem sua bagagem e ela pesa,mas a do outro pesa mais,e daí a balança desequilibra.Verdadeira arte essa,de encontrar,de prolongar o encontro,de se relacionar.Arte que acho que mesmo atores experientes ainda devem estar aprendendo!hehe
Como sempre,um texto bem seu:tocante,simples,mas cheio de significados,imagens,entrelinhas,tramas e subtramas.
=)
bjo

Alice disse...

Bringing on my perplexity...

Camilla,

Que texto!!! Você vive me visitando e venho aqui quando a casa fica vazia e posso me concentrar mais na leitura. Você se vê no que escrevo e eu acho que você anda lendo a minha vida. Amor e camarim - como uma apresentação de teatro, um filme e interpretação. Bela forma de esclarecer que amor precisa de vida e telefone não resolve nada. Gosto demais de seus tetos e você sabe.
Bjs de fã.

Letícia

Carolina Sperb disse...

minha querida.
amor ensaiado é que tem fim. amor de improviso é sofrimento sentido, tesão desejado, choro, soluço da alma, sorriso do coração.
quantas saudades da sua delicadeza violenta!

beijos
cuide-se, meu bem!

Diego disse...

O que é eterno? O fim sempre chega. Telefones deixam de tocar. E marcas sempre somem, das mais tênues às mais profundas.

Alexandre Henrique disse...

Ah Camila, poxa perfeito na falta de um roteiro, você encaixou cenas que remetem o sentimento da personagem que dão sentido as sensações dela. Adorei as imagens que você usou : o passarinho mentiroso, o equilíbrio da dor no círculo vicioso, a estrangeira no interior da vontade. E os ¨dois personagens perdidos num camarim roubado.¨ Cada um pode interpretar tantas coisas nestas imagens.
Poxa, apesar do filme não ter produção, este texto é fascinante, ¨E fazer amor assim, tem fim.¨ é quando o vazio supera as expectativas para sentir alguma coisa que no fim é coisa nenhuma. Uma conspiração que não conspira. Adorei o texto e o jeito que vc construiu o texto.
Provavelmente deve estar sendo equivocado na minha interpretação, mas este texto faz a pessoa se envolver em suas interpretações pessoais mesmo, e esta é a melhor parte dele.
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Ver as suas palavras nos meus textos, é algo que me deixaria muito feliz, te admiro muito moça, alguma dia quem sabe eu tenha um oportunidade deste tamanho que é escrever alguma texto contigo.

alua.estrelas disse...

É minha adorável amiga escritora...
O amor, como todos os outros sentimentos, precisa muito mais que uma vontade para sobreviver. Precisa de cenários, de entregas, de estímulos, de trocas e verdades. Porque senão ele tende a minguar... Até morrer.

É tão bom estar de volta e ver como vc continua a nos brindar com textos tão maravilhosos como este.
Obrigada pela visita!!!
Beijo grande e continue a escrever e nos envolver...

Alice disse...

Voltei para reler e "tetos" foi ótimo. Mas corrijo. Errar é bom. Melhor ainda é poder consertar.

Adoro seus textos... :***

João Seibert disse...

Texto muito massa esse seu viu!!
Amor é uma coisa forte como uma rocha e frágil como um cristal e descrever como vpcê descreve é para poucos.
Parabéns