quinta-feira, 7 de maio de 2009

Dor


Se não posso escapar do sofrimento e do desespero,
decidi: vou vive-los plenamente.
Calma, mas vive-los.
Vivo chegando a essa conclusão.
O difícil não é sentir as coisas, o difícil é passar o tempo tentando evita-las.
Sofrimento? Com limão e gelo, por favor.
Desespero? Põe uma dose de tequila e manda ver.
Entrego meu corpo todo a você. Tome conta dele.
Sinta até doer roer os ossos.
Pense até o desespero te tirar do lugar.
Mas tente respirar entre uma onda e outra.
Vai ajudar.
O corpo fica frio, a alma vazia. Mas deixe estar, é assim, na pré-morte que se descansa.
Isso funciona. A dor sempre tem uma função na vida. Doer é verbo a ser conjugado.
Eu doou. Conjugo assim, do meu jeito, pois é minha a dor.
Dor se conjuga, mas se excomunga? Você acredita em milagres?
Eu acredito em reviravoltas. Em cambalhotas e palhaço fazendo graça pra mim.
Acredito que um dia nasce diferente e o sol brilha com outra vontade. Acredito em Dai-me.
Um dia, Não hoje.
Dor é coisa traçoeira. Dói um pouco de bom e dói um pouco de mal. Esperta a dor.
Eu faço infusões e peço a mágicos e aos duendes que venham pra perto de mim. Magos mitológicos, duendes celtas. Sinto-me acompanhada então. E a dor passa um pouquinho e se transforma um pouco em fraqueza.
A dor atinge o cúmulo quando pensar o próximo minuto dói. Aí vira dor de doer.
Depois que os magos chegam a dor vira coisa pra lembrar. Não passa, mas entra pra memória.
Dor aperta os olhos, contrai a mandíbula e retesa as extremidades. É assim que te descrevo fisicamente a dor.
E quando estou fraca me entrego à mentira da calma. Deixo ela me dizer que tudo vai ficar bem. Um pouco de fantasia traz sentido à dor. Fantasia cor de rosa, ou da cor que eu quiser para pintar as dores. Disfarça-las.
Eu perco a vontade de contar histórias porque canso das idas e vindas da dor. Nunca sei como vou estar. Não crio rotina e por isso me perco nas palavras. Perco-me delas.
Ai eu choro, um choro sem dor. Longe das palavras, mas sem dor.É sempre um choro. Mas é diferente.
Me anestesio e me coloco a um andar em cima da dor, mas sempre vendo que ela está logo abaixo.
Seguro as rédeas para não cair nelas. Relincho.

12 comentários:

Katrina disse...

Aqui estou eu, segurando as mesmas rédeas

Adriana Gehlen disse...

precisava disso.
é sempre uma reviravolta.

Narradora disse...

Nem toda felicidade vira dor, concordo com você. Mesmo a que vira, pode ser combustível pra outras construções, desde que permaneçamos nas rédeas, mesmo que relinchando de vez em quando.
Fico feliz em ver que a água voltou!
Beijo Camilla.

Clarissa Marinho disse...

Muito bom!Forte,verdadeiro,intenso!
Concordo,viver a vida até o caroço,com dor e tdo!
Keep writing! =)
E obg pelos elogios!
=*

Calu Baroncelli disse...

é importante e necessário viver a dor, viva-a intensamente, amanhã a dor se transformará em amor e você se sentirá plena novamente.

F. Reoli disse...

Fiquei um tempo sem vir, mas é sempre delicioso me reencontrar com suas letras... no pain!!!
Beijo

Verônica Cobas disse...

Foi bom te ver nos comentários para me estimular à volta até aqui. Em princípio imaginei que você queria a palavra, a presença, talvez a companhia. Depois entendi que o que você queria era a você mesmo. Porque quando dói a gente precisa da solidão. Do expurgo intenso e absolutamente solitário. Te dei - se vale a audácia - esse tempo também. Ao retornar, acho que não vou dar mais. Vou intensificar e perturbar por aqui, direcionando os holofotes e fazendo luz onde o tempo das trevas, embora absolutamente pessoal, se dá por vencido. Os sinais são claros. Sabe, Camila, somos nós que compramos o bilhete de entrada no parque e escolhemos brincar de susto na Casa das Bruxas. Lá dentro, somos assombradas intensamente, temos medo, reflitimos sobre o que nos levou até ali, mas sabemos que lá na frente existe a porta da saída. Que aquilo tudo é passageiro e irreal. Sei o quanto, não raras vezes, nos perdemos lá dentro e não encontramos a saída. Outras, encontramos a saída, mas percebemos que esquecemos algo lá dentro e voltamos. Chegou a hora de sairmos de vez. Quando a gente olha a dor do alto, deu o primeiro passo.

Beijos...e também..saudade de te ler. Vê

Aline Christal disse...

estou apaixonada pelas suas palavras...e fiquei sem as minhas!

Adorei...com dor e tudo!

João Neto disse...

Hi baby,

Fazia um tempão, não? Mas a vida tem dessas coisas, o tempo é curto, urge, e o leão que será abatido amanhã ruge, chamando para a batalha do cotidiano.

Desculpas à parte por tanto tempo longe e menos tempo ainda para visitar os amigos, digo que sofrimento com gelo e limão não deve dar o mesmo barato que run-gelo-limão, mas é sem dúvida uma maneira otimista de ver as coisas.

E sua verve não mudou nada, aliás, está ainda mais madura.

Bjos saudosos.

Juliana disse...

Minha querida!!! quando visitou meu Blog do Chá e deixou aquele comentário "naquela foto" rsrs já sabia que estava voltando, com dor ou sem dor vc nunca ficará sem as palavras... te amo! saudades bjs! e obrigada pela honra da sua visita!!!

Jaque Lima disse...

dor. dizem por aí que a dor só é boa em poesias e poemas. mas ninguém diz que dor é tão real quanto a fumaça de um cigarro que inunda por dentro e escurece os olhos por fora.

tem coisas que são poucas as pessoas que dizem por aí...

muito boa e sincera essas palavras reais ou inspiradas!!!

beijos bonita!

Janaina disse...

Ai, Camilla... que coisa angustiante e maravilhosa de se ler.
Beijos, bela!